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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O Design Inteligente e o preconceito naturalista

Muitos cientistas questionam a validade da Teoria Sintética como explicação plausível de uma evolução vertical, embora não ponha em dúvida sua origem naturalista. Se esta teoria não pode explicar tal evento, deve haver outra que o faça. Para tais cientistas, a proposta do Design Inteligente não tem validade científica e, portanto, não pode explicar este fenômeno. Em uma entrevista realizada por Alan Boyle em junho de 2009, o físico britânico Paul Davies realça esta postura ao declarar: “O ponto fraco do Design Inteligente é que recorre a algo externo ao Universo como algo que deve ser aceito mas que não pode ser testado. Gostaria de  explicar o máximo possível do Universo, incluindo suas leis físicas favoráveis à vida, mas de uma forma que não  recorra a algo externo a ele”. E acrescenta:  “O problema de dizer ‘Deus fez isso’ é que Deus não tem sido explicado, de modo que se recorre a um Planejador inexplicável. Na verdade, isso não explica nada, mas apenas aponta para um problema. Contudo, dizer simplesmente que as leis da física explicam a existência da vida, também isso não explica coisa alguma”.

Este ponto de vista acerca da validade das propostas do Design Inteligente é compartilhado também por outros cientistas, os quais não admitem explicações além daquelas encontradas na própria natureza. Para tais cientistas o naturalismo metodológico é uma lei sagrada e, se ainda não se tem uma explicação naturalista adequada, esta virá mais tarde através das pesquisas. Além disso, dizer que a vida pode ser explicada por um agente inteligente desestimula os estudos, contrapondo ainda à metodologia científica vigente.

Tal assertiva não é outra coisa senão uma visão tendenciosa que se tornou consensual no âmbito científico atual, cujo objetivo é o de anular qualquer outra explicação que não se enquadre nos ditames naturalistas.  Ou seja: embora não haja, a priori, nenhuma razão para se excluir a possibilidade de um agente inteligente no processo que originou a vida, é dito simplesmente que "em princípio, a ciência não deve utilizá-lo, seja verdadeiro ou não". No fundo, a questão deixa o campo da ciência e penetra na esfera da ideologia.

Fenômeno semelhante ocorreu em outros tempos com a teoria do flogisto (ou flogístico), a qual durante mais de um século fascinou uma turba enorme de cientistas, que não aceitavam qualquer outra explicação  além daquelas que alimentavam seus preconceitos. Contudo,  com as pesquisas de Antoine Lavoisier, este paradigma principiou a ruir, desmoronando definitivamente com a descoberta  do oxigênio  por Joseph Priestley, em 1774.

A ciência não pode ficar restrita exclusivamente  a um paradigma só pelo fato de ser ele o mais “elegante” ou o mais “aceito pela unanimidade acadêmica”. O fato de não ser possível estudar um cometa que supostamente se chocou com a terra há milhões de anos, não implica em que não se possa observar seus efeitos sobre a Terra moderna. De forma análoga, pode-se  observar os efeitos que um planejador produziu sobre a vida, não obstante nada sabermos acerca dele. De resto, é muito preconceito e pouca ciência!


É isso!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Se há um plano, quem o planejou?

O Tedeísmo (Teoria do Desenho Inteligente) em nenhum instante teoriza acerca da natureza de um planejador, nem faz qualquer tipo de especulação concernente ao seu nome ou atributos. Em vez disso, apenas testifica se é possível ou não detectar um plano (desenho – design) na natureza, pois, como escreve Michael Behe:

“Para se deduzir que houve um plano não é preciso ter um candidato para o papel de planejador. Podemos chegar à conclusão de que um sistema foi planejado pelo simples exame do mesmo, e podemos ter muito mais certeza sobre o planejamento em si do que sobre o planejador. Em vários dos exemplos dados acima, a identidade do planejador não era óbvia. Não temos ideia de quem arrumou a engenhoca no pátio de sucata, ou a armadilha de gavinhas, ou por quê. Não obstante, sabemos que todas essas coisas foram planejadas por causa da organização de componentes independentes para atingir certo fim. A inferência de que houve um plano pode ser feita com bastante segurança, mesmo que o planejador seja figura muito remota.”
[...]
“É possível concluir que alguma coisa foi planejada sem que saibamos absolutamente a identidade de quem a planejou. No que diz respeito ao procedimento, o plano primeiro precisa ser compreendido para que se possa fazer alguma outra pergunta sobre o planejador. A dedução de que algo foi planejado pode ser mantida com toda firmeza possível neste mundo, mesmo que não se saiba nada sobre o planejador” (“A Caixa Preta de Darwin”. Zahar Editor, 1996, p. 199).

Em outras palavras, no Tedeísmo a posição religiosa de seus proponentes NÃO tem qualquer relevância para a manutenção do seu status epistêmico. Obviamente, como é de praxe com todas as teorias que pretendam explicar a origem do Universo e da vida, o Tedeísmo tem sim implicações filosóficas e teológicas, mas isso também se observa em outras teorias, como a Teoria do Big Bang e a própria Teoria da Evolução. Desta forma, o fato de alguém acreditar, por sua própria fé, que o planejador tenha sido o Deus da Bíblia ou o Alá do Alcorão, isso apenas refletirá sua crença pessoal, o que não diz absolutamente nada dos postulados do Tedeísmo. No darwinismo, por exemplo, existe determinada vertente que professa uma posição teísta, como é o caso de Francis Collins e Newton Freire-Maia, ambos declaradamente cristãos e crentes em Deus. Embora o Tedeísmo seja agnóstico quanto à natureza do planejador, isso não significa que seus proponentes não possam ter suas próprias crenças (ou descrenças).



É isso!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Tedeísmo: o plano e o planejador

Para esclarecer...

1 – O Tedeísmo não tem por objetivo especular sobre a natureza do Planejador, mas apenas encontrar sinais de planos na natureza.

2 - Para se deduzir que houve um plano não é preciso ter um candidato para o papel de planejador.

3 - É possível concluir que alguma coisa foi planejada sem que saibamos absolutamente nada acerca da identidade de quem a planejou.

4 - Podemos chegar à conclusão de que um sistema foi planejado pelo simples exame desse mesmo sistema.

5 – A inferência de que houve um plano pode ser feita com bastante segurança, mesmo que o planejador seja figura muito remota.

6 – Da mesma forma que não é possível submeter a teste os supostos ancestrais extintos, assim também não é possível colocar em um tubo de ensaio a pessoa do Planejador.

7 – Da  mesma maneira que muitos darwinistas religiosos atribuem a Deus o “pontapé inicial” da evolução, da mesma forma muitos Tedeístas acreditam ter sido Deus o Planejador. Em ambos os casos, portanto, o que conta é apenas a fé de cada um, ou seja, sua crença.

8 – A Teoria do Desenho Inteligente, tal qual o darwinismo, pode ter implicações religiosas. Richard Dawkins declarou, por exemplo, que “apenas depois de Darwin foi possível ser um ateu intelectualmente realizado”. Também o sociobiologista E. O. Wilson que se utiliza da biologia darwinista  a fim de tentar desconstruir a religião e as ciências humanas.

9 – A origem do universo e o aparecimento da vida são os alicerces físicos que resultaram em um mundo cheio de agentes conscientes. Não há razão a priori para pensar que esses eventos básicos devam ser explicados da mesma maneira que outros eventos físicos (BEHE, Zahar, 1997).

10 – Resumindo: as máquinas biológicas, por sua própria irredutibilidade, têm que ter sido planejadas – seja por Deus seja por alguma outra inteligência superior.



É isso!