quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

DCL - Descendência Comum Limitada

A Descendência Comum Limitada, ao contrário da Descendência Comum Universal, é um fenômeno cientificamente comprovado, sendo também um fato consumado. A DCL designa o conceito de que muitas variedades distintas de organismos similares dentro das diferentes espécies estão relacionadas por ascendência comum.

Um exemplo clássico de DCL diz respeito aos famosos tentilhões das Ilhas Galápagos, em que o padrão de distribuição biogeográfico de tais aves sugere fortemente que todas elas comportam um ancestral comum. Outro exemplo refere-se às muitas variedades de moscas de frutas do Hawai.

Ressalvando que isto não implica na aceitação da Descendência Comum Universal, ou seja, a idéia de que todos os organismos estão relacionados por ascendência comum.

Na DCL (Descendência Comum Limitada), portanto, o conjunto de mudanças morfológicas dá-se no interior de um grupo de seres vivos da mesma espécie ao longo do tempo, ou seja, ocorre intra-espécies.

Na DCL as adaptações têm que ver, usando a própria linguagem darwinista, apenas com a sobrevivência do mais apto, e não com o aparecimento do mais apto.

É notório que até o momento, as mudanças biológicas observadas favorecem uma visão polifilética da história da vida, na qual muitas linhagens de animais ou plantas se desenvolveram separadamente (sem conexões genealógicas) durante a mesma história da vida.

Lembrando que mudanças microevolutivas na freqüência dos genes não foram vistas como capazes de converter, por exemplo, um réptil em um mamífero ou converter um peixe num anfíbio. Não foram observados mudanças suficientes para sustentar que TODOS os organismos estão relacionados por uma ascendência comum universal. A aceitação desta tese é essencialmente uma opção fundamentada não em dados empíricos, mas no profundo anseio de se afirmar o materialismo filosófico como a única e melhor explicação para a história da vida.



É isso!

O “relojoeiro” de Paley e o de Dawkins, segundo Behe

Os enxertos abaixo foram extraídos do livro "A Caixa Preta de Darwin", com os quais Michael Behe discorre sobre o conceito de “relojoeiro” na ciência, contrapondo as visões  do teólogo William Paley e do ideólogo darwinista Richard Dawkins, acrescentando ainda sua visão sobre o assunto. Vejamos...

O Relojoeiro de Paley

"Ao atravessar uma mata, suponha que tropeço numa pedra e me perguntam como foi ela ali parar. Poderia talvez responder que, tanto quanto me é dado a saber, a pedra sempre ali esteve; e talvez não fosse muito fácil mostrar o absurdo desta resposta. Mas suponha que eu tinha encontrado um relógio no chão e procurava saber como podia ele estar naquele lugar. Muito dificilmente me poderia ocorrer a resposta que tinha dado antes ― que, tanto quanto me era dado saber, o relógio poderia sempre ali ter estado. Contudo, por que razão esta resposta, que serviu para a pedra, não serve para o relógio? Por que razão não é esta resposta tão admissível no segundo caso como no primeiro?

Por esta razão e por nenhuma outra: a saber, quando inspecionamos o relógio, vemos (o que não poderia acontecer no caso da pedra) que as suas diversas partes estão forjadas e associadas com um propósito; por exemplo, vemos que as suas diversas partes estão fabricadas e ajustadas de modo a produzir movimento e que esse movimento está regulado de modo a assinalar a hora do dia; e vemos que se as suas diversas partes tivessem uma forma diferente da que têm, se tivessem um tamanho diferente do que têm ou tivessem sido colocadas de forma diferente daquela em que estão colocadas ou se estivessem colocadas segundo uma outra ordem qualquer, a máquina não produziria nenhum movimento ou não produziria nenhum movimento que servisse para o que este serve.
[…]
Tendo este mecanismo sido observado […], pensamos que a inferência é inevitável: o relógio teve de ter um criador; teve de existir num tempo e num ou noutro espaço, um artífice ou artífices que o fabricaram para o propósito que vemos ter agora e que compreenderam a sua construção e projetaram o seu uso.[…]

Pois todo o sinal de invenção, toda a manifestação de desígnio, que existia no relógio, existe nas obras da natureza, com a diferença de que na natureza são mais, maiores e num grau tal que excede toda a computação. Quero dizer que os artefatos da natureza ultrapassam os artefatos da arte em complexidade, em sutileza e em curiosidade do mecanismo; e, se possível, ainda vão mais além deles em número e variedade; e, no entanto, num grande número de casos não são menos claramente mecânicos, não são menos claramente artefatos, não são menos claramente adequados ao seu fim ou menos claramente adaptados à sua função do que as produções mais perfeitas do engenho humano" (William Paley, Natural Theology, 1802, Cap. 1, 3 e 27).
  
O relojoeiro de Dawkins:

Paley apresenta seu convincente ponto de vista com belas e reverentes descrições da maquinaria dissecada da vida, começando com o olho humano... O argumento de Paley é exposto com apaixonante sinceridade e baseado na melhor erudição biológica de sua época, mas é errado, gloriosa e totalmente errado. [...] Se podemos dizer [que a seleção natural] representa o papel do relojoeiro na natureza, é o do relojoeiro cego... Uma coisa que não farei é depreciar a maravilha dos "relógios" vivos que tanto inspiraram Paley. Muito ao contrário, tentarei passar minha certeza de que, neste particular, Paley poderia ter ido ainda mais longe” (Dawkins, R. (1985), The Blind Watchmaker, W.W. Norton, Londres, p.5).

Agora vamos aos comentários de Michael Behe sobre o tema:

Os sentimentos de Dawkins em relação a Paley são os de um conquistador em relação a um inimigo valoroso, mas derrotado. Magnânimo na vitória, o cientista de Oxford pode se dar ao luxo de render homenagem ao clérigo que compartilhava de seu próprio encanto com a complexidade da natureza. Certamente Dawkins tem razão em considerar Paley derrotado: poucos filósofos ou cientistas a ele se referem, mesmo de passagem. Os que o fazem, como Dawkins, agem assim apenas para ignorar, e não para discutir seu argumento. Paley foi enterrado juntamente com a astronomia centralizada na Terra e a teoria do flogístico — outro derrotado na luta da ciência para explicar o mundo.

Mas exatamente em que ponto, poderíamos perguntar, Paley foi refutado? Quem rebateu seu argumento? De que maneira foi produzido o relógio, sem um planejador inteligente? É surpreendente, mas verdadeiro, que o principal argumento do desacreditado Paley nunca foi refutado de fato. Nem Darwin nem Dawkins, nem a ciência nem a filosofia explicaram como um sistema irredutivelmente complexo como um relógio poderia ser produzido sem um planejador.

Em vez disso, o argumento de Paley foi desviado do alvo por ataques a seus exemplos mal escolhidos e por discussões teológicas despropositadas. Paley, é claro, merece censura por não ter ordenado seu ponto de vista com maior precisão. Mas muitos de seus detratores também são censuráveis por se recusarem a discutir seu argumento principal, bancando os bobos para chegar a uma conclusão que lhes fosse mais aceitável” (p. 214).

Prossegue Behe:

Todavia, no que concerne ao exemplo do relógio, trata-se de um argumento muito bem fundamentado, afinal, ninguém que encontrasse um relógio acreditaria de sã consciência que ele não tenha sido planejado. E, sobre este argumento em especial, conclui Behe:

“Em todo o livro, Paley se afasta do aspecto do relógio — um sistema de componentes interatuantes — que o levou, para começar, a selecioná-lo. Como frequentemente acontece com todos nós, seu argumento teria sido muito melhorado se ele tivesse falado menos.

Por causa dessa imprudência, o argumento de Paley tem sido transformado, ao longo desses anos, em um testa-de-ferro a ser derrubado. Em vez de enfrentar a complexidade real de um sistema (como a retina ou um relógio), alguns defensores do darwinismo se satisfazem contando uma história para explicar aspectos periféricos. Fazendo uma analogia, uma "explicação" darwiniana de um relógio com tampa começaria supondo-se que uma fábrica já estava fabricando relógios sem tampa! E, em seguida, a explicação continuaria, com vistas a mostrar que aperfeiçoamento uma tampa seria.

Pobre Paley. Seus adversários modernos sentem-se justificados em supor pontos de partida imensamente complexos (como um relógio ou uma retina), se pensam que podem explicar um melhoramento simples (tal como a tampa do relógio ou a curvatura do olho). Nenhum outro argumento é apresentado, nenhuma explicação é dada da complexidade real, da complexidade irredutível. E afirmam que a refutação dos exageros de Paley é uma refutação de seu principal argumento, mesmo aqueles que sabem que não é bem assim.

Paley expressa tão bem o argumento do planejamento que desperta o respeito até de evolucionistas ferrenhos. Richard Dawkins tirou o título de seu livro, O relojoeiro cego, da analogia do relógio traçada por Paley,mas alega que a evolução, e não um agente inteligente, representa o papel do relojoeiro” (p. 214).


É isso!


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Fonte:
Michael Behe: A Caixa Preta de Darwin. Zahar Editora. Rio de janeiro, 1996.

Motivos de resistência ao Desenho Inteligente

Por que a comunidade cientifica não aceita entusiasticamente a notável descoberta de que as máquinas biológicas foram planejadas?

Ou, como indaga Michael Behe:

Por que a observação de que houve planejamento só é tocada com luvas de pelica intelectuais?

Em “A Caixa Preta de Darwin”, este professor-adjunto de bioquímica da Universidade Lehig (Pensilvânia, EUA), faz menção de quatro pontos os quais têm servido como obstáculo para que se não aceite o óbvio fato de que houve um planejamento. Antes, porém, ele faz a seguinte ponderação sobre a relevância desta descoberta científica:

A descoberta se compara às de Newton e Einstein, Lavoisier e Schrödinger, Pasteur e Darwin. A observação de que houve planejamento inteligente da vida é tão importante quanto a observação de que a Terra gira em torno do Sol ou que doenças são causadas por bactérias, ou ainda que a radiação é emitida em quanta. Seria de se esperar que a magnitude da vitória, obtida a um custo tão grande em esforço sustentado no curso de décadas, fizesse rolhas, de champanha espocar em laboratórios em todo o mundo. Esse triunfo da ciência deveria ter arrancado gritos de "Eureka!" de dez mil gargantas, conduzido a muitas palmadinhas nas costas e a outros gestos de congratulações entre colegas e, talvez, justificado um dia de folga. Mas nenhuma garrafa foi aberta, nem houve qualquer outro tipo de comemoração. Em vez disso, um silêncio curioso, constrangido, envolve a complexidade pura da célula” (p. 234, 235).

Bom. Agora vamos às razões pelas quais, segundo Behe, o chauvinismo científico fecha os olhos para a realidade de um Design Inteligente:

1 - Lealdade

Pessoas que dedicam a vida a um trabalho nobre tornam-se, não raro, ferozmente leais a ele. Um diretor de faculdade, por exemplo, talvez dedique todos os seus esforços a fortalecer o estabelecimento, porque educar é um serviço nobre. Um oficial de carreira do exército trabalhará para melhorar sua arma, porque defender o país constitui um objetivo louvável. Às vezes, contudo, lealdade a uma determinada instituição ocasiona conflito de interesses com a finalidade a que ela serve.

O oficial pode lançar suas tropas em combate, de modo que o exército seja creditado pela vitória, mesmo que fosse mais prudente deixar que a força aérea atacasse primeiro o inimigo. O diretor da faculdade poderá, talvez, convencer os deputados de seu estado no Congresso a obter verbas federais para um novo prédio no campus, mesmo que o dinheiro possa prestar melhor serviço à educação em outros lugares.

A ciência é uma atividade nobre capaz de gerar uma feroz lealdade. Tem por finalidade explicar o mundo físico — o que é um trabalho muito sério. Não obstante, outras disciplinas acadêmicas (principalmente filosofia e teologia) também estão no campo da explicação de aspectos do mundo. Embora na maior parte do tempo essas disciplinas não se cruzem, às vezes elas entram em conflito. Quando isso acontece, alguns indivíduos dedicados colocam sua disciplina à frente do objetivo a que ela deveria servir”.
[...]
“Para um participante,da pesquisa, contudo, a conclusão de que houve planejamento pode ser muito inquietante.Pensar que o conhecimento dos mecanismos usados para produzir vida estará para sempre fora de seu alcance é reconhecidamente muito frustrante para numerosos cientistas. Não obstante, temos que tomar cuidado para não permitir que a antipatia por uma teoria nos predisponha contra a interpretação imparcial dos dados.

A lealdade a uma instituição é louvável, mas a pura lealdade não constitui um argumento. Em conjunto, o efeito do chauvinismo científico sobre teorias do desenvolvimento da vida é um importante dado sociológico a levar em contra, embora, em última análise, sua importância intelectual seja nula para a questão do planejamento inteligente” (p. (p. 235-237).

2 - Lição da história

Encontramos na história a segunda razão da relutância da ciência em lidar com o elefante. Desde o dia em que a teoria da evolução foi proposta, alguns cientistas entraram em choque com teólogos sobre ela. Embora muitos desses teólogos e cientistas pensassem que a evolução darwiniana poderia ser conciliada sem grandes dificuldades com as crenças básicas da maioria das religiões, a publicidade sempre focaliza o conflito.

O tom da discussão provavelmente foi estabelecido de forma definitiva quando o bispo anglicano Samuel Wilberforce debateu com Thomas Henry Huxley, cientista e ardoroso defensor do evolucionismo, cerca de um ano após o lançamento do fecundo livro de Darwin. Está documentado que o bispo—bom teólogo, mas biólogo medíocre — encerrou seu discurso dizendo: "Eu gostaria de saber: É por parte do avô ou da avó que Huxley afirma ser descendente de um macaco?" Huxley murmurou alguma coisa como "O Senhor entregou-o em minhas mãos", e prosseguiu dando à platéia e ao público uma erudita lição de biologia. Ao fim da exposição, declarou que não sabia se era através do avô ou da avó que tinha parentesco com um símio, mas preferia descender de símios do que ser um homem dotado do dom da razão e vê-la usada como o bispo a usara naquele dia. Mulheres desmaiaram, cientistas aplaudiram e repórteres saíram correndo para redigir a manchete: "Guerra entre a ciência e a teologia".
 [...] 
“Os fatos históricos em torno dos quais cientistas se chocaram com grupos religiosos são autênticos e provocam verdadeiras reações emocionais. Levam algumas pessoas bem intencionadas a pensar que uma zona desmilitarizada deve ser estabelecida entre os dois campos, sem que se permita qualquer confraternização. Tal como o chauvinismo científico, porém, a importância de choques históricos para a compreensão científica profunda do desenvolvimento da vida é quase nula. Não estou alimentando ingenuamente a esperança de que as descobertas da bioquímica possam estar livres das sombras da história, mas, na maior extensão possível, deveriam estar” (p. 237-239).

3 – A regra

Referente a uma regra elaborada por Richard Dickerson, sobre o porquê a ciência deve utilizar apenas causas naturais como explicação aos eventos naturais.

Em seu ensaio, portanto, Dickerson não diz que a prova científica demonstra que o sobrenatural nunca afetou a natureza (aos preocupados com a definição de sobrenatural, aconselhamos que a substituam por "uma inteligência superior"). Em vez disso, ele argumenta que, em princípio, a ciência não deve utilizá-lo. A implicação clara é que não deve ser invocado, seja verdadeiro ou não. 
[...] 
Ele não tem razão a priori para pensar que nada existe além da natureza, mas acha que não constitui boa ciência oferecer o sobrenatural como explicação de um evento natural. 
[...] 
É importante notar que o argumento de Dickerson não é em si científico — não foi descoberto por experimento de laboratório, não resulta da mistura de elementos químicos em um tubo de ensaio e não constitui uma hipótese acessível a teste. Ao contrário, é filosofia. Pode ser uma boa filosofia, ou talvez não. Vamos examiná-la mais atentamente. 
[...] 
Dickerson menciona apenas uma regra, a que exclui o sobrenatural. Onde foi que ele a descobriu? Consta de algum livro? É encontrada nos estatutos de sociedades científicas? Não, claro que não. Podemos examinar todos os livros usados para ensino de ciências em todas as principais universidades dos Estados Unidos e não encontraremos a "regra definitiva e definidora". Nem acharemos quaisquer outras regras gerais prescrevendo como a ciência deve ser praticada (com exceção de regras de segurança, exortações à honestidade, e coisas semelhantes).

Não obstante, vamos perguntar: De que maneira a regra de Dickerson ajuda em alguma coisa? Por acaso ela diz quais questões estão além da competência da ciência? Fornece-nos diretrizes para separar a ciência da pseudociência? Oferece uma definição do que é ciência? A resposta a todas essas perguntas é não. 
[...] 
Na verdade, a regra de Dickerson parece mais um aforismo profissional — tal como "o freguês sempre tem razão", "luz, câmera, ação". São as regras pelas quais os antigos profissionais viveram, aquilo que pensam que funciona e que resume, em curtas palavras, parte da sabedoria que desejam passar à geração profissional mais jovem. Por trás da regra de Dickerson, vemos vagas imagens de vikings atribuindo o trovão e o raio à obra dos deuses, e feiticeiros tentando expulsar espíritos demoníacos de doentes.

Mais perto da ciência moderna, lembramo-nos do próprio Isaac Newton, sugerindo que Deus intervinha ocasionalmente para estabilizar o sistema solar. A preocupação é que se o sobrenatural fosse admitido como explicação, não haveria maneira de deter a tendência — seria invocado com frequência para explicar numerosas coisas que, na realidade, têm explicação natural. Trata-se de um medo razoável? 
[...] 
“Outra preocupação que talvez esteja por trás do ensaio de Dickerson diz respeito ao "método científico". A formulação de hipóteses, a realização de testes cuidadosos, a replicabilidade— todas essas condições serviram bem à ciência. Mas de que modo um planejador inteligente pode ser submetido a teste? Poderá ele ser posto em um tubo de ensaio? Não, claro que não. E tampouco isso pode ser feito com ancestrais comuns extintos.

O problema é que, em todos os casos em que a ciência tenta explicar um evento histórico excepcional, testes cuidadosos e replicabilidade são, por definição, impossíveis. A ciência pode ser capaz de estudar o movimento de cometas que atualmente aparecem nos céus e submeter a teste as leis da mecânica newtoniana que descrevem o movimento dos cometas. Ela, porém, jamais poderá estudar o cometa que supostamente chocou-se com a terra há milhões de anos. Pode, no entanto, observar os efeitos duradouros dele na Terra moderna. De forma análoga, pode observar os efeitos que um planejador produziu sobre a vida.

A observação final que desejo fazer sobre o argumento de Dickerson é que, embora por certo não fosse essa a sua intenção, ele deu uma receita para a timidez. Tenta restringir a ciência ao máximo da mesma coisa, recusando-se a considerar uma explicação basicamente diferente. Tenta colocar a realidade em uma caixa elegante, mas o universo se recusa a receber esse tratamento. A origem do universo e o aparecimento da vida são os alicerces físicos que resultaram em um mundo cheio de agentes conscientes. Não há razão a priori para pensar que esses eventos básicos devam ser explicados da mesma maneira que outros eventos físicos. A ciência não é um jogo e cientistas devem seguir a prova física, aonde quer que ela leve, sem restrições artificiais”(p. 240-244).

4 - Caça-fantasmas

A quarta e mais poderosa razão da relutância da ciência em aceitar uma teoria de planejamento inteligente baseia-se também em considerações filosóficas. Muitas pessoas, inclusive importantes e renomados cientistas, simplesmente não querem que exista qualquer outra coisa além da natureza. Não querem que um ser sobrenatural afete a natureza, por mais curta ou construtiva que essa intervenção tenha sido. Em outras palavras, tal como os criacionistas da vertente da Terra jovem, eles assumiram um compromisso filosófico a priori com a ciência, que restringe os tipos de explicações que aceitariam sobre o mundo físico. 
[...] 
Para muitos, a ideia do Big Bang estava carregada de conotações de evento sobrenatural — a criação, os primórdios do universo. 
[...] 
Não obstante, a despeito de suas implicações religiosas, o Big Bang era uma teoria científica que derivava naturalmente de dados de observação, e não de escrituras sagradas ou visões transcendentais. A maioria dos físicos adotou a teoria do Big Bang e organizou seus programas de pesquisa de acordo com ela. Alguns, como Einstein antes deles, não gostaram das implicações extracientíficas da teoria e esforçaram-se para elaborar alternativas. 
[...] 
É impossível negar que o Big Bang constituiu um modelo físico imensamente fértil do universo e, embora muitas perguntas importantes permaneçam sem resposta (como sempre acontece na ciência básica), ele foi confirmado por dados de observação. Cientistas como Einstein, Eddington e Hoyle manipularam suas conclusões para resistir a uma teoria científica que derivava naturalmente dos dados, porque pensavam que seriam obrigados a aceitar desagradáveis conclusões filosóficas ou teológicas. Não foram. Eles tinham outras opiniões.

O sucesso do modelo do Big Bang nada teve a ver com suas implicações religiosas. Parecia estar de acordo com o dogma judaico-cristão de um começo do universo, mas ia contra outras religiões que acreditavam que o universo era eterno. A teoria, no entanto, justificava-se com dados baseados em observação — a expansão do universo — e não pela invocação de textos sagrados ou experiências místicas de santos. O modelo procedia diretamente de dados de observação; não se prestava a um leito de Procusto de dogma religioso.

Cabe notar, no entanto, que o Big Bang, embora se harmonize com um ponto de vista religioso, não impõe essa crença. Ninguém precisa, por uma questão de lógica, chegar a qualquer dada conclusão sobrenatural baseado apenas em observações e teorias científicas. Esse fato é visto inicialmente nas tentativas de Einstein e Hoyle de construir modelos alternativos que se ajustariam aos dados de observação e evitariam o pensamento desagradável de que o universo teve um começo. 
[...] 
Dizer que o universo começou com um Big Bang é uma coisa, mas dizer que a vida foi planejada por uma inteligência é outra bem diferente. As palavras Big Bang em si lembram apenas imagens de uma explosão, e não necessariamente de uma pessoa. A expressão planejamento inteligente parece despertar mais atenção e logo provoca perguntas sobre quem poderia ter sido o planejador. Indivíduos com posições filosóficas firmes contra o sobrenatural serão colocados contra a parede por uma teoria? Não. A imaginação humana é poderosa demais” (p. 245-251).

Eis aí algumas das mais importantes razões porque em vez de rolhas de champanha espocar em laboratórios em todo o mundo, ter havido um silêncio curioso e constrangido envolvendo a complexidade pura da célula.

É isso!


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Fonte:
Michael Behe. “A Caixa Preta de Darwin”. Tradução: Ruy Jungmann. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro, 1996.

Design Inteligente não é Criacionismo

É muito comum, principalmente na mídia, rotular-se a Teoria do Desenho Inteligente (Tedeísmo) de Criacionismo, Neocriacionismo, Criacionismo disfarçado entre muitos outros rótulos notadamente de natureza pejorativa. Todavia, quem se presta a analisar ambas as propostas concluirá sem muito esforço que se trata de visões um tanto distintas. Na verdade, como o Desenho Inteligente faz uso de argumentos científicos (por exemplo, a questão da complexidade dos sistemas moleculares) é propositalmente rotulado de Criacionismo como uma forma de associá-lo à religião, buscando assim descartá-lo da discussão científica.

Sobre este assunto, Enézio E. de Almeida Filho tece importantes comentários, os quais transcrevemos logo a seguir:

"Criacionismo de Design Inteligente" não é rótulo neutro: é termo pejorativo, polêmico, inventado por alguns darwinistas para atacar o Design Inteligente por razões retóricas. Cientistas que apóiam o Design Inteligente não se descrevem como 'criacionistas de design inteligente' nem consideram a Teoria do Design Inteligente como criacionismo. O termo 'criacionismo de design inteligente' é inexato, inapropriado e tendencioso, especialmente de cientistas e jornalistas que estão tentando ser imparciais. "Teoria do Design Inteligente" é a descrição neutra da teoria.

A Teoria do Design Inteligente é baseada na ciência e não em textos sagrados.

O criacionismo defende a leitura literal da criação no livro de Gênesis pelo Deus da Bíblia há 6.000 anos atrás. A Teoria do Design Inteligente é agnóstica em relação à origem do design e não defende nenhum texto sagrado. A Teoria do Design Inteligente é um esforço de detectar empiricamente se o 'design aparente' observado pelos biólogos na Natureza é design genuíno (produto de uma inteligência organizadora) ou produto do acaso, necessidade e leis mecânicas naturais.

Detectar design na natureza vem sendo adotado por vários cientistas em renomadas faculdades e universidades americanas: Michael Behe, bioquímico da Lehigh University, Scott Minnich, microbiologista da University of Idaho e o matemático William Dembski na Baylor University entre muitos outros.

Os criacionistas sabem: a Teoria do Design Inteligente não é criacionismo. Dois grupos criacionistas importantes, Answers in Genesis Ministries - AIG e o Institute for Creation Research - ICR criticaram o Movimento de Design Inteligente (MDI) porque a Teoria do Design Inteligente não defende o relato bíblico de criação.

Como o darwinismo, a Teoria do Design Inteligente pode ter implicações religiosas, mas são distintas de seu programa científico. A Teoria do Design Inteligente, como o Big Bang, pode ter implicações em áreas fora da ciência (teologia, ética e filosofia), mas distintas do Design Inteligente como programa de pesquisa científica. Nesta questão, a Teoria do Design Inteligente não difere da Teoria da Evolução.

Darwinistas importantes tiram implicações teológicas e culturais da teoria da evolução. Richard Dawkins, da Oxford University, afirmou que 'só depois de Darwin é possível ser um ateu intelectualmente satisfeito'. E. O. Wilson, de Harvard, emprega a biologia darwinista para desconstruir a religião e as ciências humanas”.



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É isso!

O Tedeísmo é o mesmo que Criacionismo?

Não!

O Tedeísmo tem por finalidade detectar – empiricamente – se o “aparente desenho” da natureza, o qual é reconhecido virtualmente por todos os biólogos, seja de fato um desenho verdadeiro (produto de uma causa inteligente) ou se é apenas o resultado de um processo não direcionado como a Seleção Natural. Já o criacionismo tem suas teses fundamentadas numa interpretação literal do relato bíblico do Gênesis. O Tedeísmo é estritamente agnóstico quanto a identidade de um planejador. Em outras palavras: não está preocupado em identificar a natureza de planejador, mas apenas em detectar empiricamente se há um PLANO (desenho – design) na natureza. 


Críticos honestos do Desenho Inteligente reconhecem que há sim distinção entre Tedeísmo e Criacionismo. O historiador da ciência Ronald Numbers, da Universidade de Wisconsin, não obstante um crítico da Teoria do Desenho Inteligente, “concorda que o rótulo criacionista não deve ser aplicado ao Tedeísmo".

Então por que os darwinistas insistem em afirmar que ambos são da mesma estirpe?

Segundo Dr. Numbers, isto ocorre porque eles (os darwinistas) acreditam que esta seja “a maneira mais fácil de desprestigiar a Teoria do Desenho Inteligente”. Em outras palavras: trata-se de uma estratégia retórica dos darwinistas a fim de tentar suprimir o mérito científico e filosófico do Tedeísmo.

Ademais, como bem realça Michael Behe: “O dilema é que, enquanto um lado do elefante é etiquetado como planejamento inteligente, o outro poderia ser rotulado como Deus.”


É isso!

O Tedeísmo pode ser compatível com a evolução?

Isto vai depender do que se quer dizer com o termo “evolução”. Com o sentido de “mudanças através do tempo”, não há um conflito interno entre a Teoria da Evolução e a Teoria do Desenho Inteligente. O que o Tedeísmo contesta é que mecanismos cegos, como a Seleção Natural agindo sobre as mutações, sejam capazes de dá conta da imensa complexidade do Universo e dos seres vivos.

Um dos ícones do Tedeísmo, o cientista Michael Behe, por exemplo, não vê nenhum problema em conciliar temas diretamente relacionados à Teoria da Evolução, por exemplo, a ascendência comum. Sobre isso, diz ele: “Acho a ideia de ascendência comum (que todos os organismos tiveram um mesmo ancestral) muito convincente e não tenho nenhuma razão particular para pô-la cm dúvida. Respeito muito o trabalho de meus colegas que estudam o desenvolvimento e o comportamento de organismos dentro do arcabouço evolucionário, e acho que biólogos que assim pensam deram enormes contribuições ao nosso conhecimento do mundo” (“A Caixa Preta de Darwin, p. 15, Zahar, 1996).



É isso!

Se há um plano, quem o planejou?

O Tedeísmo (Teoria do Desenho Inteligente) em nenhum instante teoriza acerca da natureza de um planejador, nem faz qualquer tipo de especulação concernente ao seu nome ou atributos. Em vez disso, apenas testifica se é possível ou não detectar um plano (desenho – design) na natureza, pois, como escreve Michael Behe:

Para se deduzir que houve um plano não é preciso ter um candidato para o papel de planejador. Podemos chegar à conclusão de que um sistema foi planejado pelo simples exame do mesmo, e podemos ter muito mais certeza sobre o planejamento em si do que sobre o planejador. Em vários dos exemplos dados acima, a identidade do planejador não era óbvia. Não temos ideia de quem arrumou a engenhoca no pátio de sucata, ou a armadilha de gavinhas, ou por quê. Não obstante, sabemos que todas essas coisas foram planejadas por causa da organização de componentes independentes para atingir certo fim. A inferência de que houve um plano pode ser feita com bastante segurança, mesmo que o planejador seja figura muito remota.”
[...]
É possível concluir que alguma coisa foi planejada sem que saibamos absolutamente a identidade de quem a planejou. No que diz respeito ao procedimento, o plano primeiro precisa ser compreendido para que se possa fazer alguma outra pergunta sobre o planejador. A dedução de que algo foi planejado pode ser mantida com toda firmeza possível neste mundo, mesmo que não se saiba nada sobre o planejador” (“A Caixa Preta de Darwin”. Zahar Editor, 1996, p. 199).

Em outras palavras, no Tedeísmo a posição religiosa de seus proponentes NÃO tem qualquer relevância para a manutenção do seu status epistêmico. Obviamente, como é de praxe com todas as teorias que pretendam explicar a origem do Universo e da vida, o Tedeísmo tem sim implicações filosóficas e teológicas, mas isso também se observa em outras teorias, como a Teoria do Big Bang e a própria Teoria da Evolução. Desta forma, o fato de alguém acreditar, por sua própria fé, que o planejador tenha sido o Deus da Bíblia ou o Alá do Alcorão, isso apenas refletirá sua crença pessoal, o que não diz absolutamente nada dos postulados do Tedeísmo. No darwinismo, por exemplo, existe determinada vertente que professa uma posição teísta, como é o caso de Francis Collins e Newton Freire-Maia, ambos declaradamente cristãos e crentes em Deus. Embora o Tedeísmo seja agnóstico quanto à natureza do planejador, isso não significa que seus proponentes não possam ter suas próprias crenças (ou descrenças).



É isso!

A imensa complexidade dos vírus

Sabemos que os seres vivos têm que superar os mesmos tipos de problemas físicos encontrados pelos engenheiros. Todavia, os vírus, por definição, não estão vivos: precisam de um hospedeiro para sua replicação. A par disto, indago: como é possível ter evoluído gradualmente uma bio-nanotecnologia de tão alta precisão como são os vírus? E mais: como teria se desenvolvido, do ponto de vista macroevolutivo, motores tão potentes, tão compactos e tão supereficientes como estes?

Bem. Sabe-se que as coberturas proteínicas protetoras (cápsides) dos vírus são extraordinários exemplos de engenharia biológica. Estes recipientes sumamente regulares, automontados e com dimensões nanométricas possui um desenho minimalista, combinando complexas funções passivas e ativas. Estas cápsides não apenas proporcionam um escudo químico, como, também, uma significativa proteção mecânica para seus conteúdos genéticos. As coberturas víricas são assim um maravilhoso exemplo de uma solução que a Natureza constrói a fim de suplantar um complicado problema de engenharia biológica. Montando a si mesmas elas formam sólidas coberturas de uma geometria muito bem definida e precisa utilizando para isso de uma quantidade mínima de distintas proteínas.


É isso!


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Referências:

As células e seus poderosos motores

Se uma máquina molecular por si mesma já é uma maravilha, que se dirá de um conjunto delas trabalhando de maneira coordenada e em conjunto?
Recentes artigos e notícias informam que é exatamente isto o que ocorre nas células vivas: os motores moleculares coordenam seus esforços, ou seja, estão ligados por coordenação, trabalhando para uma determinada função.

O Science Daily, por exemplo, publicou uma noticia acerca do assunto, na qual se lia que “inclusive dentro da célula, a mão esquerda sabe o que o esta fazendo a direita”.

Os pesquisadores da Universidade de Virgínia afirmaram “que os motores moleculares funcionam de uma maneira assombrosamente coordenada”, quando uma “simples” algas chamadas Chlamydominas tem que se deslocar por meio de seus flagelos. Isto contradiz modelos anteriores que representavam os motores competindo entre si como num cabo-de-guerra.

"A nova pesquisa da Universidade de Virgínia proporciona sólidas provas de que os motores estão realmente funcionando em coordenação, todos se movendo em uma direção, como se estivesse sob as mesmas ordens, ou em direção oposta – e novamente, como se estive sob um controle rigoroso.”

É como que imaginar um líder ou supervisor que comanda o processo. Compreender isto poderia servir de ajuda em tratamentos de transtornos neurodegenerativos. O artigo não fez menção da evolução. Os pesquisadores publicaram suas pesquisas PNAS.

Outro sistema celular do qual informava o Science Daily tem relação com a coordenação de componentes independentes. A transposição de ADN composta de ARN mensageiro sai do núcleo em pequenos motores em 3D, “esticando-se” por um código linear para ser lido pelo ribossomo. E mais uma vez o artigo não diz nada acerca de evolução.

Aos darwinistas cabe agora a dura missão de tentar explicar sob a lógica do acaso (e de seus “aliados”) a ação coordenada de múltiplas peças necessárias para uma determinada função, na qual a menor falha de qualquer um de seus componentes, poderá culminar em doenças e até à morte.

Se conseguirem tal proeza sem ginásticas epistêmicas e filosóficas, restar-lhe-ão à glória, ou, quiçá, o “Troféu Popper de Epistemologia.” ((rs))


É isso!

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Referência:
Laib, Marin, Bloodgood and Guilford, "The reciprocal coordination and mechanics of molecular motors in living cells", Proceedings of the National Academy of Sciences EE. UU., publicado en línea el 12 de febrero de 2009, doi: 10.1073/pnas.0809849106.

Michael Behe e o Cracionismo

Dentre as muitas bobagens que os devotos de Darwin dizem do cientista Michael Behe, uma delas o acusa de ser ele um criacionista disfarçado, que busca difundir a religião sob uma “nova roupagem”, que seria a Teoria do Desenho (Design) Inteligente.

Todavia, quem se prestou a ler o seu principal livro “A Caixa Preta de Darwin”, não terá a menor dificuldade em concluir  que se trata uma grande besteira. A par disto, selecionei alguns trechos do referido livro, com as quais este cientista discorre sobre alguns pontos os quais se chocam frontalmente com os ideais criacionistas. Vejamos...

1 – Sobre a idade da terra

A evolução é um tópico polêmico, o que torna necessário esclarecer algumas questões básicas já no início do livro. Muitas pessoas pensam que questionar a evolução Darwiniana significa defender o criacionismo. Da forma habitualmente entendida, o criacionismo implica a crença em que a terra foi formada há apenas dez mil anos, uma interpretação da Bíblia ainda muito popular. Desejo deixar claro que não tenho motivos para duvidar que o universo tenha os bilhões de anos de idade que os físicos alegam” (p. 15).

2 -  Sobre a idéia de ascendência comum
Acho a idéia de ascendência comum (que todos os organismos tiveram um mesmo ancestral) muito convincente e não tenho nenhuma razão particular para pô-la em dúvida” (p. 15).

3 – Sobre os cientistas evolucionistasRespeito muito o trabalho de meus colegas que estudam o desenvolvimento e o comportamento de organismo dentro do arcabouço evolucionário, e acho que biólogos que assim pensam deram enormes contribuições ao nosso conhecimento do mundo” (p. 15).

4 – Sobre o naturalista Charles Darwin
Darwin e a evolução nos dominam, quaisquer que sejam as queixas dos cientistas criacionistas. Mas será correta essa tese? Melhor ainda, será adequada? Acredito que não. Não é que Darwin tenha errado, mas sim, compreendido apenas parte da verdade” (p. 38).

5 – Sobre compromissos ideológicos de criacionistas e darwinistas
Em outras palavras, tal como os criacionistas da vertente da Terra jovem, eles assumiram um compromis­so filosófico a priori com a ciência, que restringe os tipos de explicações que aceitariam sobre o mundo físico. Às vezes, essa disposição dá origem a um comportamento muito estranho” (p 245).

6 – Sobre a hipótese evolutiva
Suponhamos que há quase quatro bilhões de anos o plane­jador fabricou a primeira célula, já contendo todos os sistemas bioquímicos irredutivelmente complexos discutidos aqui, e muitos outros. (Podemos postular que o planejamento de sistemas que deveriam ser usados mais tarde, como a coagulação do sangue, esteve presente, mas ainda não "ligado". Nos organismos modernos, numerosos genes são desligados tempo­rariamente, às vezes durante gerações, para serem ligados mais tarde.) Suponhamos ainda que o planejador colocou nas células alguns outros sistemas, sobre os quais não podemos fornecer prova suficiente, para concluir o planejamento. A célula que continha os sistemas planejados foram, em seguida, deixadas em piloto automático para reproduzir-se, passar por mutação, comer e ser comida, chocar-se com rochas e sofrer os efeitos de todos os caprichos da vida aqui na Terra” (p. 229).


É isso!

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Fonte:
Michael Behe: “A Caixa Preta de Darwin - Desafio da Bioquímica à teoria daEvolução”. Jorge Zahar Editores. Rio de Janeiro, 1996.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Tedeísmo: a ratoeira de Behe

Em seu livro recomendadíssimo livro “A Caixa Preta de Darwin", o cientista Michael Behe, com o objetivo de ilustrar o funcionamento de "sua" Complexidade Irredutível, usa como simples exemplo uma simples ratoeira. Segundo ele, da mesma forma que a ratoeira não funciona ao fim pretendido (apanhar ratos) sem uma de suas partes, assim ocorre com alguns mecanismos biológicos, os quais, por sua irredutibilidade, não poderiam ter seguido por uma rota gradualista. Em vez disso, necessariamente foram planejados.

Vejamos a sua didática explicação:


Primeiro passo:

O primeiro passo para determinar a complexidade irredutível consiste em especificar a função do sistema e todos os seus componentes. Um objeto irredutivelmente complexo será composto de várias partes, todas as quais contribuem para a função.

A fim de evitar os problemas encontrados em objetos extremamente complexos (tais como olhos, besouros, ou outros sistemas biológicos multicelulares) começarei com um exemplo mecânico simples: uma modesta ratoeira.

A função da ratoeira é imobilizar um rato, de modo que ele não possa realizar certos atos desagradáveis, tais como roer sacos de farinha de trigo ou fiação elétrica, ou deixar pequenos lembretes de sua presença em cantos pouco varridos.

As ratoeiras usadas por minha família consistem de certo número de partes: 1) uma tábua lisa de madeira que serve como base; 2) um martelo (precursor) de metal, que realiza o trabalho de esmagar o ratinho; 3) uma mola com extremidades alongadas que faz pressão contra a tábua e o martelo quando a ratoeira é armada; 4) uma trava sensível, que dispara quando nela é aplicada leve pressão; e 5) uma barra de metal ligada à trava e que prende o martelo quando a ratoeira é armada. (Há também vários grampos para manter o sistema articulado).

Segundo passo:

O segundo passo para determinar se um sistema é irredutivelmente complexo consiste em perguntar se todos os componentes são necessários à função. Nesse exemplo, a resposta, claro, é sim.

Suponhamos que, enquanto está lendo durante a noite, você ouve o ruído de pequenas patas na copa, vai até uma gaveta e pega a ratoeira. Infelizmente, devido à fabricação defeituosa, falta uma das peças listadas acima. Que parte poderia estar faltando, mas que, ainda assim, nos permitiria pegar o rato?

Se não houvesse a base de madeira, tampouco haveria uma plataforma para nela prender os outros componentes. Se faltasse o martelo, o rato poderia dançar a noite inteira sobre a plataforma sem ficar preso à base de madeira. Se não houvesse mola, o martelo c a plataforma estariam frouxamente ligados e o roedor continuaria feliz da vida. Se não houvesse trava ou barra de metal, então a mola dispararia o martelo logo que a soltássemos e, para pegar o rato, teríamos que correr atrás dele, com a ratoeira aberta na mão.

A fim de compreender bem a conclusão de que um sistema é irredutivelmente complexo e, por conseguinte, não tem precursores funcionais, precisamos fazer uma distinção entre precursor físico e precursor conceitual. A ratoeira descrita acima não é o único sistema que pode imobilizar um rato. Em outras ocasiões, minha família usou uma ratoeira de cola.

Em teoria, pelo menos, podemos usar uma caixa inclinada, apoiada em uma vareta que pode ser derrubada. Ou podemos simplesmente atirar no rato com uma espingarda de chumbinho. Esses casos, porém, não são precursores físicos da ratoeira comum, uma vez que não podem ser transformados — um passo darwiniano após outro — em uma ratoeira com base, martelo, mola, trava e barra de retenção.

[...]

Até agora, analisamos a questão da complexidade irredutível como um desafio à evolução gradual. Darwin, porém, enfrenta outra dificuldade. Minha lista anterior de fatores que tornam a ratoeira irredutivelmente complexa foi, na verdade, generosa demais, porque quase qualquer dispositivo que tivesse os cinco componentes de uma ratoeira padrão, ainda assim, poderia deixar de funcionar.

Se a base fosse feita de papel, por exemplo, a ratoeira se desmancharia. Se o martelo fosse pesado demais, quebraria a mola. Se a mola fosse frouxa demais, não acionaria o martelo. Se a barra de retenção fosse muito curta, não alcançaria a trava. Se a trava fosse grande demais, não dispararia na ocasião apropriada. Uma lista simples dos componentes da ratoeira é necessária, mas não suficiente para produzir um dispositivo que funcione.

Para ser candidato à evolução natural um sistema precisa ter uma função mínima: a capacidade de realizar um dado trabalho em circunstâncias fisicamente realistas. A ratoeira feita de materiais impróprios não atenderia ao critério de função mínima, mas até máquinas complexas que fazem o que se espera que façam talvez não sejam muito úteis.

[...]

Uma simples lista de peças mostra o mínimo absoluto de requisitos. No capítulo anterior, explicamos que uma ratoeira, mesmo contendo todas as peças necessárias — o martelo, a base, a mola, a trava e a barra de retenção — poderia não funcionar. Se a barra fosse muito curta, ou a mola leve demais, por exemplo, a ratoeira seria um fracasso.

[...]

Suponhamos, por exemplo, que queremos fabricar uma ratoeira. Na garagem, podemos ter uma tábua de madeira velha (para a plataforma, ou base), a mola de um velho relógio de corda, uma peça de metal (para servir como martelo) na forma de uma alavanca, uma agulha de cerzir para segurar a barra, e uma tampinha metálica de garrafa, que julgamos poder usar como trava. Essas peças, no entanto, não poderiam formar uma ratoeira funcional sem modificações excessivas e, enquanto elas estivessem sendo feitas, as partes não poderiam funcionar como ratoeira. Suas funções anteriores as teriam tornado impróprias para quase qualquer novo papel como parte de um sistema complexo.

[...]

Lembre-se, uma mola de ratoeira pode, de certa forma, parecer-se com uma mola de relógio, e uma alavanca pode lembrar um martelo de ratoeira, mas as semelhanças nada dizem sobre como a ratoeira é produzida. Para sustentar que um sistema se desenvolveu gradualmente através de um mecanismo darwiniano, temos de demonstrar que a função do sistema poderia "ter sido formada por numerosas, sucessivas e ligeiras modificações".

[...]

Sistemas irredutivelmente complexos como ratoeiras, máquinas Rube Goldberg e transporte intracelular não podem evoluir à moda darwiniana. Não podemos começar com uma base, pegar alguns ratos, acrescentar uma mola, pegar mais ratos, acrescentar um martelo, pegar mais ratos, e assim por diante. Todo o sistema tem de ser montado na mesma ocasião, ou os ratos fugirão. De modo análogo, não podemos começar com uma sequência de sinais e fazer com que uma proteína siga até certo ponto na direção do lisossomo, adicionar uma proteína receptora de sinais, ir um pouco mais adiante etc. É tudo ou nada.

OS EXEMPLOS UTILIZADOS POR  MICHAEL BEHE

O flagelo:

"O flagelo bacteriano usa um mecanismo de remo. Por isso mesmo, deve satisfazer as mesmas condições que outros sistemas de natação. Uma vez que o flagelo bacteriano é necessariamente composto de pelo menos três partes — um remo, um rotor, e um motor — ele é de complexidade irredutível. A evolução gradual do flagelo, assim como a do cílio, encontra obstáculos enormes".

O cílio

"Que componentes são necessários para que um cílio funcione? O movimento dele certamente exige microtúbulos. De outra maneira, não haveria filamentos para deslizar. Além disso, ele precisa de um motor, ou os microtúbulos do cílio permaneceriam duros e imóveis. Ele também precisa de conectores para empurrar os filamentos vizinhos, convertendo o movimento de deslizamento em movimento de curvatura e impedindo que a estrutura desmorone. Todas essas peças são necessárias para realizar uma única função: o movimento ciliar. Do mesmo modo que uma ratoeira não funciona a menos que todas as suas partes constituintes estejam presentes, o movimento ciliar simplesmente não existe na ausência de microtúbulos, conectores e motores. Podemos, por conseguinte, concluir que o cílio é de complexidade irredutível — uma enorme chave-inglesa jogada em sua presumida evolução gradual darwiniana".

A coagulação do sangue

"Em contraste, quando uma pessoa sofre um corte, o sangramento continua apenas por um curto espaço de tempo, até que se forme um coágulo para interromper o fluxo. O coágulo endurece e o corte sara. A formação de coágulo do sangue parece algo tão banal que a maioria das pessoas quase nem pensa nisso. A investigação bioquímica, no entanto, demonstrou que a coagulação do sangue é muito complexa; é um sistema de entrelaçamento intricado, constituído de dezenas de partes interdependentes de proteínas. Se apenas um entre a grande quantidade desses componentes estiver ausente ou apresentar defeitos importantes, o sistema pára de funcionar: o sangue não coagula no momento ou no lugar adequados".

O sistema imunológico

"Esse sistema poderia ter evoluído passo a passo? Pense por um momento no imenso reservatório de bilhões a trilhões de células B. O processo de escolher a célula certa, em uma mistura de células que produzem anticorpos, é denominado de seleção clonal. Esta é uma maneira elegante de elaborar uma resposta específica, em grandes quantidades, a uma imensa variedade de possíveis invasores. O processo depende de várias etapas, algumas das quais não discutimos ainda. Deixando-as de lado por ora, vejamos quais são os requisitos mínimos para um sistema de seleção clonal e se eles poderiam ser produzidos gradualmente".


É isso!


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Fonte:
Michael Behe. “A Caixa Preta de Darwin”. Tradução: Ruy Jungmann. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro, 1996.