domingo, 14 de dezembro de 2014

Algumas razões que diferenciam o Tedeísmo do Criacionismo

Uma das estratégias de retórica mais comum dos darwinistas, no que concerne à Teoria do Desenho Inteligente (Tedeísmo), é rotulá-la de neocriacionismo ou criacionismo disfarçado etc. A tentativa é clara: invalidar ou suprimir o mérito científico desta nova hipótese científica. Contudo, quem se der ao trabalho de confrontar essas duas propostas, não terá a menor dificuldade em concluir que se trata de visões completamente antagônicas.

E foi com o objetivo de tentar esclarecer esta celeuma darwinianamente elaborada, que selecionei como exemplos dois autores emblemáticos de ambas às vertentes: Henry Morris (representante da vertente Criacionista) e Michael Behe (o que melhor sintetiza a vertente Tedeísta). Mediante suas obras (“Criação ou Evolução, de Henry Morris e “A Caixa Preta de Darwin”, de Michael Behe) cotejei as propostas de cada um deles, a partir das quais é possível chegar-se ao termo de toda essa falsa propaganda dos devotos de Darwin. Se não, vejamos...


1 - OS LIVROS SAGRADOS
Ao contrário do Criacionismo (em suas variadas formas: cristão, hinduísta, muçulmano etc.), o Tedeísmo (TDI – Teoria do Desenho Inteligente) não fundamenta nenhum de seus postulados por meio de relatos considerados sagrados:

O que diz Henry Morris:
O Livro de Gênesis (significando "princípios", "origens") é, nestes dias de cinismo, frequentemente considerado como nada mais que uma coleção de lendas antigas de épocas primevas menos sofisticadas. Alguns tomam as histórias do Gênesis como alegorias contendo certos valores morais e espirituais, embora não verazes no sentido histórico.Mas o cristão que crê na Bíblia não pode aceitar essas ideias. Para ele. Gênesis constitui o alicerce sobre o qual se ergue todo o edifício da Escritura. O Novo Testamento, por exemplo, cita Gênesis diretamente, ou a ele se refere, nada menos de sessenta vezes. Cristo e os apóstolos obviamente aceitaram Gênesis como histórico e divinamente inspirado.
Ao considerarmos os onze primeiros capítulos de Gênesis, veremos que todos os dados verdadeiramente científicos e históricos apoiam a verdade do registro bíblico. Veremos também que os propósitos de Deus em Seu grandioso plano de salvação ligam-se inseparavelmente a esses mesmos fatos
” (“Criação ou Evolução”, p. 8).

O que diz Michael Behe:

A conclusão sobre o desenho inteligente segue-se de modo natural dos próprios dados — não de livros sagrados ou de crenças sectárias. Inferir que os sistemas bioquímicos foram planejados por um agente inteligente é um processo trivial que não requer novos princípios de lógica ou ciência. Ele decorre simplesmente do trabalho árduo realizado pela bioquímica nos últimos quarenta anos, combinado com o exame da maneira como chega mos a conclusões sobre planejamento todos os dias. Não obstante, dizer que os sistemas bioquímicos foram planejados certamente parecerá estranho a muitas pessoas, portanto deixe-me tornar isso menos estranho” (“A Caixa Preta de Darwin”, p. 195).

2 - O TEMPO GEOLÓGICO
O que diz Henry Morris:
 Há várias teorias propostas por cristãos com a intenção de harmonizar a narrativa da criação em Gênesis com a pretensa história evolucionista do universo e seus habitantes, história elaborada por astrónomos, geólogos e biólogos modernos. Uma delas é a teoria do "dia-era", que tenta correlacionar os dias da criação com as idades geológicas. Outra é a teoria do "salto", que insere as eras geológicas num suposto intervalo entre Gênesis 1.1 e 1.2.Na verdade, nem estas nem outras teorias sugeridas resistirão a rigoroso exame, quer científico quer escriturístico. Há conflito irreconciliável entre qualquer história evolucionista do universo proposta e a narrativa de sua criação registrada em Gênesis. Os dados científicos fatuais de ciências como a astronomia, a geologia, a bio logia e outras podem ser interpretados de molde a ade quar-se a este ou aquele sistema. A escolha feita por uma pessoa depende principalmente de sua preferência pessoal. Trata-se de uma decisão espiritual antes que científica! Ou a Palavra de Deus ou as teorias humanas! [...]“Diz-nos Deus que todas as coisas foram feitas em seis dias. Ele pode tê-lo revelado primeiramente a Moisés ou, com maior probabilidade, a Adão ou a um dos outros patriarcas anteriores ao Dilúvio. Em todo caso, há de ter sido revelado. Isto é algo que o homen não pode des cobrir cientificamente. A narrativa divina foi então lavrada, possivelmente em placa de pedra, e foi passando de mão em mão, patriarca após patriarca, até que por fim pôde ser incorporada aos livros de Moisés.Criados inicialmente "do nada" o espaço ("os céus") e a matéria ("a terra"), em concomitância com o próprio tempo ("o princípio), Deus procedeu a dar forma à terra informe, inicialmente envolta em águas e trevas, e depois provendo de habitantes sua silenciosa superfície” (“Criação ou Evolução”, p. 16, 17).

O que diz Michael Behe:

Muitas pessoas pensam que questionar a evolução darwiniana significa defender o criacionismo. Da forma habitualmente entendida, o criacionismo implica a crença em que a Terra foi formada há apenas dez mil anos, uma interpretação da Bíblia ainda muito popular. Desejo deixar claro que não tenho motivos para duvidar que o universo tem os bilhões de anos de idade que os físicos alegam.” (A Caixa Preta de Darwin”, p. 15)

3 -  A ASCENDÊNCIA COMUM UNIVERSAL
O que diz Henry Morris:
No quinto dia Deus fez os peixes e as aves, "segundo as suas espécies". É interessante observar que os primeiros animais criados foram "os grandes animais marinhos", os maiores animais que já existiram (1.21). É difícil harmonizar isto com a pretensa evolução de toda a vida orgânica desde os diminutos seres unicelulares!Os animais e répteis terrestres, bem como os insetos ("inseto que voa" — ver Levítico 11.20-23), foram cria dos durante a primeira parte do sexto dia. Isto contra diz também a imaginada ordem da evolução segundo a qual os insetos apareceram muito antes das aves e dos mamíferos” (“Criação ou Evolução”, p. 19).

O que diz Michael Behe:

Acho a ideia de ascendência comum (que todos os organismos tiveram um mesmo ancestral) muito convincente e não tenho nenhuma razão particular para pô-la cm dúvida” (A Caixa Preta de Darwin”, p. 15).

4 - CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO
O que diz Henry Morris:
 A criação do homem foi o clímax e a conclusão dos atos criadores de Deus. O homem deveria "encher" a terra, "sujeitá-la" e exercer domínio sobre todas as outras criaturas. Por causa da Queda e da Maldição, este domínio não é exercido no presente (Hebreus 2.8), a não ser de modo incompleto e imperfeito. Um dia será restabelecido. A profecia de Isaías 11.6-9, antecipando as glórias do milénio, retrata as relações ideais entre o homem e o reino animal quê deve haver existido antes da queda do homem.Tudo tem que ter sido perfeito porquanto Deus assim o disse! "Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom." (1.31). Não havia nada em desordem, nem inimizades, nem sofrimento, nem luta, e certamente não havia morte em toda a criação de Deus. Tudo isso veio com a queda do homem e a resultante maldição divina, e dessa hora em diante e sempre, "toda a criação a um só tempo geme e suporta angústias até agora" - Rm 8.22 (“Criação ou Evolução”, p. 20).

O que diz  Michael Behe:

Suponhamos que há quase quatro bilhões de anos o planejador fabricou a primeira célula, já contendo todos os sistemas bioquímicos irredutivelmente complexos discutidos aqui, e muitos outros. (Podemos postular que o planejamento de sistemas que deveriam ser usados mais tarde, como a coagulação do sangue, esteve presente, mas ainda não "ligado". Nos organismos modernos, numerosos genes são desligados tempo rariamente, às vezes durante gerações, para serem ligados mais tarde.) Suponhamos ainda que o planejador colocou nas células alguns outros sistemas, sobre os quais não podemos fornecer prova suficiente, para concluir o planejamento. A célula que continha os sistemas planejados foram, em seguida, deixadas em piloto automático para reproduzir-se, passar por mutação, comer e ser comida, chocar-se com rochas e sofrer os efeitos de todos os caprichos da vida aqui na Terra...” (A Caixa Preta de Darwin”, p. 228).

5 - DEUS/PLANEJADOR
O que diz Henry Morris:
 É de suprema importância crer no vero Deus da Bíblia. Os homens inventaram muitos "deuses", e Satanás está engajado numa tentativa milenar de tornar-se o governador ou "deus" do universo. Mas há somente um Deus verdadeiro: Aquele que criou todas as coisas. É só na Bíblia que aprendemos de Sua natureza, de Seu caráter e de Seus desígnios.Segundo a Escritura, a doutrina de Deus revela-O como o Deus triúno. É Pai, Filho e Espírito Santo. A pluralidade do Ser divino ésugerida pela palavra "Deus" no primeiro versículo da Bíblia, que é a forma plural de elohim” (“Criação ou Evolução”, p. 13).

O que que diz Michael Behe:

Para se deduzir que houve um plano não é preciso ter um candidato para o papel de planejador. Podemos chegar à conclusão de que um sistema foi planejado pelo simples exame do mesmo, e podemos ter muito mais certeza sobre o planejamento em sido que sobre o planejador. Em vários dos exemplos dados acima, a identidade do planejador não era óbvia. Não temos ideia de quem arrumou a engenhoca no pátio de sucata, ou a armadilha de gavinhas, ou por quê. Não obstante, sabemos que todas essas coisas foram planejadas por causa da organização de componentes independentes para atingir certo fim.A inferência de que houve um plano pode ser feita com bastante segurança, mesmo que o planejador seja figura muito remota. Arqueólogos que escavam sítios à procura de cidades perdidas podem encontrar pedras retangulares, enterradas dezenas de metros na terra, com imagens de camelos e gatos, grifos e dragões” (“A Caixa Preta de Darwin”, p. 198).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
1 - O fato de um Tedeísta (defensor do conceito de Desenho Inteligente) ser crente e professar sua fé no Deus revelado na Bíblia ou em Alá do Alcorão Sagrado etc., em nada implica que a teoria em si seja fundamentada em crença religiosa. No darwinismo, por exemplo, há uma vertente religiosa denominada “Evolucionismo Teísta”, a qual, não obstante busque conciliar a existência de uma divindade com os pressupostos evolutivos (Francis Collins), não duvida que a evolução ocorreu nos tradicionais moldes darwinianos. Para estes: “A Deus o que é de Deus, e a Darwin o que é de Darwin”.
2 - O fato dos criacionistas usarem a Teoria do Desenho Inteligente como munição contra a Teoria da Evolução apenas repercute a questão materialismo versus espiritualismo. O conceito de “planejamento”, para os criacionistas, por motivos óbvios, é mais condizente com a noção de um Criador (que pode ser Deus) do que com a idéia do Acaso (mudanças aleatórias). O mesmo fenômeno dá-se com o ateísmo, que usa e abusa de Darwin a fim de justificar a opção pela descrença em Deus.
3 - O fato de o Tedeísmo, assim como qualquer teoria que se presta a explicar a origem da vida, ter implicações filosóficas e teológicas, não a torna em sua essência uma defesa da religião ou da fé. A implicação “religiosa”, neste caso, também existe necessariamente com certas explicações da Teoria da Evolução (na Biologia) e a Teoria do Big Bang (na Física). Sobre esta última, escreve Behe: “Cabe notar, no entanto, que o Big Bang, embora se harmonize com um ponto de vista religioso, não impõe essa crença. Ninguém precisa, por uma questão de lógica, chegar a qualquer dada conclusão sobrenatural baseado apenas em observações e teorias científicas. Esse fato é visto inicialmente nas tentativas de Einstein e Hoyle de construir modelos alternativos que se ajustariam aos dados de observação e evitariam o pensamento desagradável de que o universo teve um começo” (“A Caixa Preta de Darwin”, p. 246). No darwinismo, segundo Dawkins, somente depois de Darwin, é que foi possível ser um “ateu intelectualmente satisfeitos”.

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Referência bibliográfica:
1. Henry Morris: “Criação ou Evolução”. Editora Fiel. São Paulo, 1996;2. Michael Behe. “A Caixa Preta de Darwin”. Zahar Editor. São Paulo, 1997.

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