quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Alternativas ao mito gradualista

Se o gradualismo é mais um produto do pensamento ocidental do que um fato da natureza, não seria então razoável considerar filosofias alternativas de mudança para ampliar o nosso universo de preconceitos constrangedores?
Stephan Jay Gould, em “O Polegar do Panda”

Não obstante esta contundente crítica de Gould ao gradualismo rígido e estrito do neodarwinista, é bom deixar claro que este paleontólogo em nenhum momento negou a existência da evolução! O que ele negou e sempre criticou foi o mito gradualista da teoria sintética darwinista, que afirma ter havido uma exclusividade na transformação lenta e gradual das espécies, através do mecanismo de seleção natural agindo sobre os genes.

Mas, o que teria levado Gould a se tornar um dos principais oponentes do gradualismo neodarwinista, tecendo duras críticas ao que ele denominou de “mais um produto do pensamento ocidental”?

A resposta é simples, e pode ser resumida no fato de que o neodarwinismo simplesmente não consegue explicar as lacunas que aparecem no registro fóssil. Sim, porque se a vida evoluiu de maneira estritamente gradual, ou seja, lentamente em um longo espaço de tempo, então seria de se esperar que se encontrasse no registro fóssil a lenta transformação das espécies, as quais certamente seriam de algum modo semelhantes com as espécies das quais descenderam, e, igualmente, com as espécies que originaram, o que inequivocamente forneceria um registro gradual das criaturas transicionais. Todavia, eis o escandaloso FATO: não há registros de criaturas transicionais.

Sobre isto, comenta Anderson Barbosa Felizardo, em sua dissertação denominada “Críticas Atuais ao Neodarwinismo: A Ampliação da Janela Explicativa da Teoria Evolutiva Contemporânea”:

Essa questão levanta a polêmica de que a maior parte das evidências fósseis encontradas até agora negam a transformação gradual de um organismo em outro - o gradualismo evolutivo defendido pela teoria sintética e que é um dos pilares dessa teoria - pois não existem dados paleontológicos que permitam observar a evolução gradual das espécies. O que a nova interpretação dos fósseis nos mostra, pelo contrário, é a transformação súbita de umas espécies em outras”.

Cientes deste grave dilema darwinista, Gould e Eldredge propuseram uma alternativa, a que deram o nome de “Equilíbrio Pontuado”:

A tese de Gould e Eldredge é a de que as espécies estão em equilíbrio ao longo de sua existência, porém este equilíbrio aparece pontuado por Períodos rápidos de especiação (êxtase), quer dizer, formação rápida de novas espécies em pequenas povoações marginais, forçadas pela necessidade de sobrevivência, a se transformar. É nestes períodos que se acumulam a maior parte das mudanças evolutivas. É o que Gould chama de evolução aos saltos, exatamente o oposto do que defende a teoria sintética com sua perspectiva gradualista.

A aparição súbita de novas estruturas fósseis reflete o fato de que sua formação acontece através de períodos de explosão evolutiva, depois dos quais as espécies sofrerão poucas transformações durante milhões de anos. É o que sustenta o equilíbrio pontuado: após uma existência de vários milhões de anos em equilíbrio uma espécie deixa de existir repentinamente, sem transição aparente, e cede seu lugar para uma nova espécie com características nitidamente diferentes. Em outras palavras, períodos de equilíbrio evolutivo são entrecortados por períodos de especiações rápidas” (Felizardo, 2005).

Porém, um grande problema da tese de Gould e Eldredge, é que ela não consegue uma explicação factual para os mecanismos de complexidade irredutíveis encontrados nas “máquinas biológicas”. Com essa finalidade surgiu uma alternativa mais convincente e plausível, denominada Teoria de Desenho Inteligente (Tedeísmo), proposta inicialmente por Michale Behe e William A. Dembski:

"No passado pensava-se que a base da vida era extraordinariamente simples. Essa ideia foi demolida. Verificou-se que a visão, os movimentos e outras funções biológicas não são menos sofisticados do que câmeras de televisão e automóveis. Embora a ciência tenha feito enormes progressos na compreensão de como funciona a química da vida, a sofisticação e a complexidade dos sistemas biológicos no nível molecular paralisaram suas tentativas de explicar as origens dos mesmos.

Não houve virtualmente tentativa alguma da ciência de explicar a origem de sistemas biomoleculares específicos, complexos, e muito menos qualquer progresso nesse sentido. Muitos cientistas afirmaram corajosamente que já têm tais explicações, ou que as terão mais cedo ou mais tarde, mas nenhum apoio para essas alegações pode ser encontrado na literatura científica. Mais importante ainda, há razões irresistíveis — baseadas na própria estrutura dos sistemas — para se pensar que uma explicação darwiniana dos mecanismos da vida será para sempre enganosa” (Michael Behe: A Caixa Preta de Darwin, Zahar, 1997).



É isso!

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